A CANCELADORA COM K FOI TOMABADA, MAS NÓS AINDA NÃO

Eu poderia falar sobre a rapper que decepcionou um país inteiro nas lutas pela equidade de gêneros e antirracista, poderia dizer que é triste que uma mulher tenha tomado o posto de pessoa mais odiada no pais.

Mas trata-se de um ser humano perturbado, uma pessoa manipuladora e sagaz, alguém que poderia ser de qualquer gênero ou cor que uniu um país por um único desejo: o tombamento.

Veja o que Karol Conká perdeu em apenas dez dias de BBB 21; é justo?

Particularmente, o que mais me impressionou na trajetória da Karol Conká no BBB21 não foram as armas, nem os feridos.

Foi o exército, formado por amigos coniventes e colegas silenciados, todos permissivos aos graves ataques da participante. E particularmente porque as atitudes de conivência dos demais participantes me doeram já que talvez eu repudie esse tipo de atitude em mim mesma.

 

Agora, vamos analisar: por que uma mulher, negra, empoderada, enérgica, de trinta e poucos anos, batalhadora, esperta e articulada deveria ser a grande defensora das causas raciais e sociais lá dentro?

Deveria ela te representar? Deveria me representar também? Expectativas foram criadas. E o peso de representar milhares de mulheres e homens pelo Brasil é imenso e não deveria ser colocado nas costas de ninguém.

 

Mas da mesma forma que nós um dia colocamos esse peso na Karol, ela colocou na Camilla de Lucas recentemente. E é assim que nós pudemos enxergar o nosso erro, vendo nos outros. E é por isso que incomoda, é por isso que doi tanto.

 

A participante viu manipulação no Gilberto e Sarah, oscilação de sanidade na Juliette, competitividade feminina na Camilla e violência psicológica no Lucas. Será que ela estava se projetando em todos esses participantes?

Canceladora com K foi eliminada, mas nós somos os canceladores com C.

Toda semana cancelamos alguém por algum motivo: “é machista, é planta, é militante demais, é militante de menos” e votamos enlouquecidamente para deixarem o programa e as nossas telas.

 

Que isso tudo seja uma lição para nós e quando enxergarmos nos outros os nossos próprios erros e, em vez de apontar e julgar começarmos a mudar o que é de nosso alcance.

 

E a partir do momento em que o erro for do outro e só dele, não nos revoltará tanto quanto algo que também carregamos dentro de nós, assim poderemos enxergar a dor do outro sem nos preocupar com a nossa, e ajudar a cada dia mais!

Isabela Ramalho

Empreendedora e entendedora de futilidades, apaixonada por tecnologia, autoconhecimento e fotos em tons pastéis.